Histórico da Mpox e Resposta Comunitária
A mpox é uma doença viral zoonótica conhecida desde a década de 1970, com
origem e predominância histórica em países da África Central e Ocidental.
Durante décadas, manteve-se como uma doença endêmica localizada, associada ao
contacto humano-animal e à transmissão interpessoal em contextos de
proximidade. A partir de 2022, a mpox passou a apresentar uma expansão
geográfica significativa, tornando-se uma preocupação global de saúde pública,
com surtos recorrentes em vários países africanos e fora do continente.
Em Moçambique, a mpox foi confirmada pela primeira vez em 2022, mas ganhou
maior relevância epidemiológica em julho de 2025, quando o Ministério da
Saúde declarou oficialmente um surto ativo no Distrito de Lago, Província de
Niassa, identificado como o principal epicentro nacional. A localização
fronteiriça do distrito, com intensa mobilidade populacional entre Moçambique,
Tanzânia e Malawi, contribuiu para a rápida disseminação do vírus,
especialmente em comunidades com acesso limitado a serviços de saúde e
informação adequada.
Foi neste contexto que a Light For Africa Association (LFAA)
iniciou, em novembro de 2025, a implementação de um projeto de
resposta rápida à mpox no Distrito de Lago, com foco no Posto
Administrativo de Cobué, Localidade de Lupilici, em parceria com a Associação
Jovens em Ação, enquanto organização local. O projeto é financiado pela
Organização Internacional para as Migrações (OIM), através do Rapid
Response Fund (RRF), com apoio dos doadores Irish Aid e UK Aid.
As ações da LFAA concentram-se no reforço da resposta comunitária e da
resiliência local, através da sensibilização porta-a-porta, sessões
comunitárias e envolvimento de líderes tradicionais, religiosos e juvenis para
disseminação de informação correta sobre a mpox, seus sinais, formas de
transmissão e medidas de prevenção. Paralelamente, a organização apoia a
vigilância comunitária e a deteção precoce de casos suspeitos, promovendo o
encaminhamento atempado às unidades sanitárias e reduzindo atrasos na procura
de cuidados.
O projeto integra ainda brigadas móveis de saúde, que levam serviços
essenciais às comunidades de difícil acesso, combinando ações de prevenção da
mpox com aconselhamento e testagem para HIV e sífilis, bem como apoio
psicossocial às famílias afetadas. A promoção de práticas de higiene e de
prevenção e controlo de infeções, incluindo a lavagem das mãos e o isolamento
seguro de casos suspeitos, constitui um eixo central da intervenção.
Ao articular o histórico da mpox com uma resposta local coordenada, a
intervenção da LFAA em Lupilici e áreas adjacentes contribui de forma
significativa para a contenção do surto, a redução do estigma e o
fortalecimento das capacidades comunitárias para responder a emergências de
saúde pública atuais e futuras.


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